Você já se pegou no final do ano se perguntando por que suas resoluções de Ano Novo não deram certo? A verdade é que não é falta de vontade, como muitos acham — é a falta de um bom plano claro e eficiente.
Se isso já aconteceu com você, relaxe. Não é motivo para se culpar. Na verdade, acontece praticamente com todo mundo, (inclusive comigo). É praticamente parte do pacote “ser humano”. Mas, a boa notícia é que existem métodos que podem dar aquele empurrão necessário para fazer as coisas acontecerem.
Neste artigo, irei explorar duas metodologias poderosas para definir metas de forma clara, mensurável e alcançável: SMART e GROW.
Definindo uma Meta
Vamos supor que você deseje melhorar a sua saúde e perder o peso com exercicios diários. Como transformar esse desejo em uma realidade? Com o auxílio dessas ferramentas, você poderá criar um plano detalhado e aumentar suas chances de sucesso.
SMART
O método SMART é amplamente utilizado para definir metas, seja em projetos profissionais ou na vida pessoal. Criado pelo americano George T. Doran (nada a ver com a banda, infelizmente) em 1981, ele foi publicado no artigo “There’s a S.M.A.R.T. way to write management’s goals and objectives” (Existe uma maneira inteligente de estabelecer metas e objetivos da administração).
Ele ajuda a gente a definir metas que façam sentido e que sejam possíveis de alcançar — sem aquele drama todo. Cada letra da sigla SMART tem um significado, e estarei explicando com exemplos práticos:
S (Specific – Específica)
Uma meta específica precisa ser clara e detalhada, Quanto mais específica for sua meta, mais fácil será alcançá-la.
Lembra-se de evitar criar metas que sejam muito vagas, como “quero ser rico”, “quero conquistar a garota mais bonita da sala” ou “quero ser o garoto mais popular da Escola” (apesar de ser uma boa meta também).
– O que eu quero realizar? “Quero perder 7 kg nos próximos quatro meses.”
– Por que isso é importante? “Porque melhorar minha saúde vai me dar mais energia e reduzir o risco de problemas futuros.”
– Quem está envolvido? “Eu, com apoio de um nutricionista e um personal trainer.”
– Onde vai acontecer? “Na academia e em caminhadas no parque.”
Quanto mais específica a meta, menos você tem como escapar dela.
M (Measurable – Mensurável)
Metas mensuráveis permitem acompanhar o progresso e ajustar o plano, se necessário. Se sua meta não tem como ser medida, vira só um desejo no vento.
– Como vou saber que atingi minha meta? “Quando eu tiver perdido 7 kg e meu IMC estiver dentro da faixa saudável.”
– Que indicadores de sucesso vou usar? “Pesagem semanal e registros de resistência física, como a distância que corro sem parar.”
A mensurabilidade torna a jornada mais concreta e monitorável. Quanto mais medível, mais você consegue ter controle.
A (Achievable – Alcançável)
Agora, vamos ser mais pé no chão. A meta deve ser realista, considerando suas habilidades e recursos.
A bandeira que eu estou querendo levantar é que a sua meta precisa ter possibilidades de ser alcançada, tipo “vou ganhar uma maratona em 2 meses” não rola se você mal corre um quarterão.
– Com base na realidade, a meta é possível de ser atingida? “Sim, tenho acesso a uma academia e posso treinar três vezes por semana. Além disso, tenho apoio de profissionais para ajustar minha dieta.”
– Os colaboradores concordam que ela é alcançável? “Sim, tanto o nutricionista quanto o personal trainer concordam que a meta é realista dentro do prazo.”
Definir metas alcançáveis evita frustrações e garante motivação. Se a meta for impossível de se alcançar, você desistirá logo no primeiro tropeço.
R (Relevant – Relevante)
Certifique-se de que a meta seja importante para seus objetivos e de vida no longo prazo. Não só uma ideia aleatória que veio enquanto você rolava o feed.
– Essa meta faz sentido para minha vida? “Sim, melhorar minha saúde física vai aumentar minha produtividade no trabalho e me ajudar a manter uma vida equilibrada.”
– É o momento certo para persegui-la? “Sim, minha rotina agora está estável, permitindo que eu priorize minha saúde.”
Metas relevantes têm impacto positivo na sua vida, aumentando sua determinação para atingi-las. Se a meta não tiver impacto real na sua vida, você vai acabar deixando de lado na primeira oportunidade.
T (Time-bound – Temporal)
Último detalhe, mas não menos importante: toda meta precisa de um prazo para ser cumprida. Porque “um dia eu vou” normalmente vira “nunca fui”.
– Qual é o prazo para alcançar minha meta? “Tenho quatro meses para perder 7 kg.”
– O que posso fazer agora, em seis meses e em um ano? “Agora, posso ajustar minha alimentação e iniciar os treinos. Em seis meses, quero manter o peso alcançado, e em um ano, aumentar a intensidade dos exercícios.”
Estabelecer prazos cria urgência saudável, que te impede de deixar pra depois, além de ajuda a organizar suas ações.
GROW
O método GROW, é uma alternativa mais direta ao famoso SMART. Criado por John Whitmore (um britânico que além de tudo era piloto de corrida), o GROW te ajuda a traçar um plano bem estruturado e eficiente para atingir seus objetivos, sem complicação.
O GROW funciona em quatro etapas: Meta, Realidade, Opções e Plano de Ação. Cada uma delas te leva um passo mais perto de realizar suas ambições, sem se perder no meio do caminho.
Nesse segundo método estarei mencionado cada sigla e com as mesmas respostas do SMART, para facilitar o entendimento de cada etapa.
G (Goal – Meta): Qual é o objetivo?
– “Quero perder 7 kg nos próximos quatro meses.”
R (Reality – Realidade): Onde estou agora?
– “Atualmente, sigo um plano de exercícios na academia e faço caminhadas no parque.”
O (Options – Opções): Quais recursos estão disponíveis?
– “Tenho acesso à academia e apoio de profissionais. Existem diferentes opções de exercícios e ajustes na dieta.”
W (Will – Plano de Ação): Quais passos concretos vou tomar?
– “Vou seguir meu plano de exercícios e dieta nos próximos quatro meses para alcançar a meta.”
Resumo
Tanto o método SMART quanto o GROW são ótimas ferramentas para quem quer estabelecer metas claras e realistas, seja na vida pessoal ou profissional.
O SMART oferece um framework estruturado para criar metas específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais. Já o GROW adota uma abordagem mais flexível e focada no processo de coaching, incentivando a reflexão e a descoberta de novas possibilidades.
Cada um tem sua abordagem, mas ambos têm o mesmo objetivo: te ajudar a sair do “eu quero” para o “eu consegui”. Se você ainda está se perguntando como começar, relaxa! O primeiro passo pode ser tão simples quanto pegar um bloco de notas e responder a algumas perguntas básicas.
Comece a fazer essas perguntas a si mesmo:
– O que exatamente você quer alcançar?
– Por que essa meta é importante para você?
– Qual é a sua situação atual em relação a essa meta?
– Como você saberá que alcançou a meta?
– Quais são as opções disponíveis para atingir essa meta?
– A sua meta é realista considerando os recursos que você tem?
– Quem pode te ajudar a atingir essa meta?
– Quanto tempo você tem para alcançá-la?
– O que você pode fazer agora para começar?
– Como essa meta impactará positivamente sua vida a longo prazo?